Economia

BNDES injeta R$ 840 milhões na Paraíba com foco em rodovias e agricultura

Redação 2
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O projeto do Arco desempenha um papel fundamental na integração do Nordeste, uma vez que o traçado permite que veículos de grande porte acessem o interior e estados vizinhos sem passar pelas vias urbanas da capital. Foto: divulgação/Governo da Paraíba

Banco aprova R$ 690 milhões para o Arco Metropolitano, ligando o estado a Pernambuco e Rio Grande do Norte, e destina R$ 150 milhões do Sertão Vivo ao semiárido

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou um pacote de investimentos que soma mais de R$ 840 milhões para o estado da Paraíba. O montante prioriza a segurança hídrica da agricultura familiar e obras estruturadoras de mobilidade que impactam diretamente a integração logística do Nordeste. Os anúncios foram realizados nesta segunda-feira (1º), em João Pessoa, durante a abertura da Semana do Meio Ambiente.

A aprovação do repasse de R$ 690,7 milhões ocorre por meio do Programa BNDES Invest Impacto, voltado para grandes obras e infraestrutura urbana. O principal projeto logístico em termos de valor é o Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, que recebeu a aprovação de R$ 450 milhões.

A obra terá 30 quilômetros de extensão e interligará as rodovias federais BR-101 e BR-230, com o objetivo de desviar o tráfego pesado e melhorar o escoamento de cargas na Região Metropolitana de João Pessoa.

​Outro investimento de peso estratégico para a malha rodoviária regional é o Arco Metropolitano de João Pessoa, que contará com R$ 185 milhões do banco de fomento. Este projeto desempenha um papel fundamental na integração do Nordeste, pois garante a ligação direta de fluxo de transporte entre os estados de Pernambuco e do Rio Grande do Norte.

O traçado permite que veículos de grande porte acessem o interior e portos vizinhos sem passar pelas vias urbanas da capital paraibana.

Apoio financeiro também ao campo

​Do total de recursos liberados, R$ 150 milhões serão aplicados na iniciativa Sertão Vivo, um programa focado em convivência com o clima e fortalecimento da produção rural no semiárido.

A execução local ficará sob a responsabilidade do Governo do Estado, contando com o apoio técnico e monitoramento do banco, além da parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

​Combate à seca e fortalecimento da agricultura familiar no semiárido

​O programa Sertão Vivo na Paraíba vai atender diretamente mais de 37,6 mil famílias rurais espalhadas por 157 municípios, alcançando cerca de 150 mil pessoas.

O foco das ações está em microrregiões historicamente afetadas por estiagens prolongadas, pobreza rural e forte insegurança hídrica. A carteira de investimentos foi montada para financiar sistemas produtivos resilientes e infraestrutura de captação de água.

​A estrutura do projeto prevê a divisão dos R$ 150 milhões em duas frentes financeiras: cerca de R$ 126,4 milhões serão liberados em linhas de crédito e aproximadamente R$ 23,6 milhões em recursos não reembolsáveis.

De acordo com as regras operacionais, os valores de crédito servem para implantar tecnologias de acesso à água, como cisternas e reservatórios, enquanto a parcela não reembolsável financiará a assistência técnica e capacitação das comunidades tradicionais, mulheres e jovens.

BNDES, Maria Fernanda CoelhoA consolidação dos investimentos foi detalhada pela diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, durante as agendas em João Pessoa. Foto: Romeu Santos/BNDES

Sertão ganha complexo voltado para astronomia

​O pacote de investimentos também contempla a área cultural e de desenvolvimento tecnológico com a destinação de R$ 55,7 milhões para a implantação da Cidade da Astronomia.

O equipamento será construído no município de Carrapateiras, localizado no Sertão da Paraíba, e funcionará integrado ao Complexo Científico do Sertão. A estrutura física prevê a montagem de um planetário, auditório e salas de exposições.

​O novo polo científico vai atuar em sinergia com outras iniciativas já desenvolvidas pelo governo estadual na região, a exemplo do radiotelescópio BINGO, da expansão do Parque Vale dos Dinossauros e do futuro Museu Científico de Arqueologia da Paraíba.

O objetivo da implantação é estimular o turismo educacional e criar oportunidades de formação de jovens em carreiras tecnológicas no interior do estado.

Crédito para pequenas empresas e inovação registra salto expressivo

​Os anúncios oficiais incluíram o balanço financeiro do BNDES referente ao primeiro trimestre de 2026, indicando uma forte expansão na oferta de crédito para a economia paraibana.

As aprovações no estado totalizaram R$ 179,5 milhões nos três primeiros meses do ano, registrando uma alta de 342,7% em comparação com os R$ 40,6 milhões computados no mesmo período de 2025. Desse total, o segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) abocanhou R$ 150,8 milhões.

​A evolução do crédito voltado a projetos de inovação tecnológica na Paraíba atingiu uma variação positiva de 5.391% ao comparar os períodos acumulados. Entre 2023 e 2025, foram aprovados R$ 73,2 milhões para essa finalidade, contra apenas R$ 1,3 milhão movimentado entre 2019 e 2021.

Para dar continuidade a esse desempenho, o programa BNDES Mais Inovação teve seu orçamento nacional ampliado para R$ 12 bilhões em 2026, com uma reserva mínima obrigatória de R$ 840 milhões para as regiões Norte e Nordeste.

Declarações oficiais das autoridades

A consolidação dos investimentos foi detalhada pela diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, durante as agendas em João Pessoa. As ações coordenadas fazem parte de uma diretriz federal focada na descentralização do crédito produtivo.

​O modelo adotado para o semiárido foi defendido pela presidência da instituição financeira como referência de política pública estruturada. Em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, detalhou o funcionamento da operação.

​“O Sertão Vivo traduz o compromisso do BNDES com o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Ao unir crédito e apoio não reembolsável, estamos levando investimento, tecnologia e oportunidade para regiões historicamente vulneráveis, ajudando milhares de famílias a produzir mais, com menos risco climático e mais dignidade”, disse.

​O dirigente máximo da instituição também justificou os aportes bilionários nas frentes de mobilidade e pesquisa científica como pilares de crescimento econômico regional de longo prazo.

​“Também investimos no desenvolvimento educacional, científico de tecnológico como eixo estruturante do Brasil, buscando a transição para uma sociedade do conhecimento, fortalecendo a soberania tecnológica e a competitividade nacional.”