Caminho do Mosteiro é trilha para iniciantes – 11/05/2023 – É Logo Ali

Caminho do Mosteiro é trilha para iniciantes – 11/05/2023 – É Logo Ali


Se tem uma motivação que impulsionou o ser humano a sair por aí batendo pernas desde a antiguidade, com certeza a religiosidade é uma das mais presentes. Todo caminhante já ouviu falar ou planejou em algum momento percorrer a mais famosa das rotas religiosas, o milenar Caminho de Santiago, na Espanha, com seus mais de 800 quilômetros. Aqui mesmo, no Brasil, temos já consolidado o Caminho da Fé, que com 2.500 quilômetros entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, triplica o desafio espanhol do apóstolo. E agora a peregrinação conta com um irmão mais novo, inaugurado em agosto de 2019 —o Caminho do Mosteiro, entre as cidades de Piracicaba e Torrinha, ambas em São Paulo.

Idealizado pelo fotógrafo Gustavo Alves de Oliveira, 44, que sonhava com um trajeto adequado ao cicloturismo, seu esporte favorito, nas imediações de Piracicaba, onde mora, a 158 quilômetros da capital paulista, o Caminho do Mosteiro já atraiu mais de 1.000 pessoas motivadas não apenas pela fé, mas pela vontade de conhecer a região, tradicional produtora de café, cana-de-açúcar, milho e pecuária. Ele começa em um ponto de relevância histórica, o Parque Histórico Quilombo Corumbataí, e segue até o centenário Mosteiro do Paraíso, comunidade de agromonges beneditinos em Torrinha.

Para quem está começando na vida de peregrino, e ainda não quer se arriscar por grandes rotas, trata-se de uma opção ideal: com apenas 134 quilômetros, o percurso pode ser feito em algo entre 5 e 7 dias a pé, ou em 2 a 4 dias em bicicleta. Cavaleiros costumam percorrer o trajeto em 4 a 5 dias.

Como é um percurso ideal para iniciantes, Gustavo recomenda alguns cuidados para quem está começando, como não se esquecer de fechar as porteiras das propriedades particulares cruzadas pela rota oficial, ficar de olho em cachorros e outros animais e, cláusula pétrea, carregar o próprio lixo para não comprometer o meio ambiente.

“Além disso, a rota está registrada no aplicativo Wikilog, e pode ser baixada ao celular de cada peregrino”, explica Gustavo. “E temos um número de WhatsApp disponível 24 horas para qualquer emergência, ou para o caso de a pessoa se perder, apesar das placas com setas indicativas do trajeto”, acrescenta. Para segurança ainda maior, ele recomenda que as pessoas se façam acompanhar por um carro próprio de apoio, “porque nunca se sabe o que pode acontecer, algum acidente, uma torção etc”. Mas esse item não é obrigatório, frisa. Ou seja: cada um que identifique seus limites e decida.

Para dar aquele gostinho de verdadeira peregrinação (que não deixa de ser uma boa lembrança, mesmo que a fé não seja o motivo da caminhada), é disponibilizado um certificado de conclusão do trajeto, que pode ser adquirido por R$ 35 em Piracicaba, no ponto zero do caminho, e carimbado em mais de 20 locais de alimentação e pernoite. Acampamento, ao longo do percurso, pode ser negociado diretamente com os donos das propriedades atravessadas, mas Gustavo lembra que o gasto médio de cada peregrino com pouso e alimentação não excede os R$ 150 a R$ 200 diários, o que pode recomendar uma boa noite de sono numa cama macia e um banheiro para aliviar o cansaço do corpo depois de uma longa jornada.

“As pessoas costumam fazer, em média, 20 quilômetros por dia, no máximo 30, porque alguns trechos são mais pesados, com muita areia ou com subidas mais íngremes”, afirma ele.



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