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Premier League decide manter VAR, mas protestos aumentam – 06/06/2024 – Esporte


O VAR (árbitro assistente de vídeo, na sigla em inglês) continuará a ser utilizado no Campeonato Inglês. A proposta de abolir o uso da ferramenta não teve os votos necessários para a mudança do regulamento.

O assunto foi discutido nesta quinta-feira (6), na reunião geral anual da Premier League, que organiza a competição. Era preciso alcançar 14 votos entre os 20 clubes membros da liga, porém, segundo a imprensa britânica, apenas um apoiou a volta ao modelo tradicional –o Wolverhampton–, sem a intervenção no andamento do jogo com base nas imagens.

O mero fato, porém, de ter ocorrido uma votação a respeito do tema no principal certame nacional do mundo mostra que, cinco anos após a sua adoção, a tecnologia vem sendo questionada.

Em nota, a Premier League afirmou que o VAR produziu decisões mais acuradas, mas anunciou seis pontos de atenção:

  1. Manter um alto limiar para intervenção do VAR, para proporcionar maior consistência e menos interrupções no fluxo do jogo
  2. Reduzir atrasos no jogo, principalmente através da introdução da tecnologia de impedimento semi-automático
  3. Melhorar a experiência do torcedor através da redução dos atrasos, anúncios no estádio feitos pelos árbitros e, sempre que possível, uma oferta aprimorada de replays nos telões
  4. Implementar um treinamento do VAR mais robusto para melhorar a consistência, com ênfase na velocidade do processo (mantendo a precisão)
  5. Aumentar a transparência e comunicação em torno do VAR
  6. Produzir uma campanha que buscará esclarecer ainda mais o papel do VAR no jogo.

No caso inglês, a proposta de acabar com o VAR partiu do Wolverhampton, que terminou o campeonato em 14º lugar e se sentiu prejudicado em múltiplas ocasiões. Em sua petição, a agremiação apontou que a tecnologia levou a “numerosas consequências não intencionais que estão danificando a relação entre os fãs e o futebol“.

A torcida do clube aplaudiu. O grupo Wolves 1877 Supporters Trust publicou um texto no qual se manifestava “incrivelmente satisfeito” com o pedido. “O VAR tirou a alegria do jogo que conhecemos e amamos e ofereceu muito pouco benefício”, observou.

Fãs de uma equipe bem maior, o Manchester United, têm a mesma visão. O Must (Manchester United Supporters Trust) conduziu uma enquete entre seus membros, com mais de 16 mil respostas, e menos de 1% foi a favor da manutenção do VAR nos moldes atuais. Mais da metade (50,6%) disse que não queria mais o árbitro de vídeo em nenhuma hipótese, nem se ele fosse muito melhorado.

Na Inglaterra, uma das principais queixas é a demora. O VAR inglês tem pouco mais de um minuto perdido por partida, em média.

Também há na Premier League um questionamento oposto a um registrado com frequência no Brasil: o assistente de vídeo britânico interfere pouco. Um painel independente contratado pela liga identificou 25 situações em que o VAR deveria ter agido, mas não o fez. Apontou também 107 revisões corretas e 6 ocasiões em que trocar a decisão de campo se mostrou um erro.

Independentemente desses números, encomendados pela própria organização da competição, a insatisfação chegou a atletas e treinadores importantes, como Mikel Arteta, do Arsenal, e Ange Postecoglou, do Tottenham.

O treinador Jürgen Klopp, que acaba de se despedir do Liverpool, chegou a pedir a repetição de um duelo com o Tottenham, partida que teve um gol de Luis Díaz equivocadamente anulado por impedimento. O alemão chegou a dizer que, se pudesse, votaria pelo fim do uso do VAR. “Não acredito que o VAR em si seja o problema, mas o modo como utilizam é”, disse durante a temporada.

O Nottingham Forest foi além em confronto com o Luton Town e observou “três decisões extremamente ruins”. “Alertamos a PGMOL [a comissão de arbitragem] antes do jogo que o VAR era um torcedor do Luton, mas não mudaram a escalação. Nossa paciência foi testada múltiplas vezes.”

A Premier League manifestou “total apoio” ao árbitro de vídeo e conseguiu mantê-lo. Porém não há dúvida de que há uma onda de questionamento, não só no Reino Unido, e houve até a formação de comunidades para acompanhar o Campeonato Sueco –frágil tecnicamente, mas disputado à moda antiga.

“O VAR acabou com o grito de gol, só isso”, resmungou à Folha o balconista corintiano Uéslei Silva Júnior, 38, habitué do estádio de Itaquera. “A torcida do Corinthians tem aquela coisa de não gritar gol antes, porque zica. Está certo, não pode mesmo. Mas agora a gente não pode gritar nem depois. Sai o gol, você não sabe se valeu”, acrescentou, raivoso.



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