Reunião entre Cemaden e gestores do Vale do Paraíba coloca em pauta ações de preparação para El Niño
Reunião entre Cemaden e gestores do Vale do Paraíba coloca em pauta ações de preparação para El Niño
Conciliar a necessidade de prover informações e contribuir para o planejamento dos tomadores de decisão com o cuidado para evitar sensacionalismo e alarmismo. Este tem sido o mote da atuação do Cemaden diante das previsões relacionadas aos possíveis impactos do El Niño no biênio 2026/2027. Foi nesse contexto que o Centro promoveu, no dia 11/6, uma reunião técnica com gestores públicos da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. O encontro, fruto de uma articulação entre o Cemaden e a Prefeitura de São José dos Campos, a Agência Metropolitana do Vale do Paraíba (AGEMVALE) e o Consórcio Três Rios, teve como objetivo principal alinhar o conhecimento científico às ações de gestão pública para enfrentar os desafios impostos pelo El Niño 2026/2027.

- Da esquerda para a direita: Jose Marengo (coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden); Marcelo Manara (secretário de Urbanismo e Sustentabilidade de São José dos Campos); Regina Alvalá (diretora do Cemaden); Anderson Farias (prefeito de São José dos Campos); Marcelo Leandro (diretor executivo da AGEMVALE); e Victor Miranda (secretário executivo do Consórcio Intermunicipal Três Rios).
Durante o evento, pesquisadores do Cemaden apresentaram diagnósticos detalhados sobre o cenário climático atual. O coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento, José Marengo, destacou que as previsões para 2026 indicam a probabilidade de um El Niño de intensidade forte a muito forte, com anomalias de temperatura que podem ultrapassar os 2°C no Oceano Pacífico. Marengo ressaltou que, embora a ocorrência do fenômeno por si só não implique desastres, a prevenção é indispensável para reduzir possíveis custos e fatalidades. Na região do Vale do Paraíba, os impactos prováveis do El Niño se referem a atrasos na estação chuvosa e aumento no número e intensidade de ondas de calor – o que ocasiona maior pressão sobre reservatórios e o aumento nos consumos de água e energia elétrica.
No campo dos recursos hídricos, a pesquisadora do Cemaden Elisângela Broedel apresentou o panorama da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Ela alertou que a resposta dos reservatórios ao El Niño não é linear, mas que a experiência histórica aponta para o risco de eventos extremos (tanto de seca quanto de cheia). Broedel apresentou dados que apontam que o armazenamento atual dos reservatórios está em níveis intermediários, com tendência de redução ao longo da estação seca. Além disso, no trimestre entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, o Sistema Cantareira chegou aos menores níveis de armazenamento desde a crise hídrica ocorrida entre 2014 e 2015.
Também pesquisadora do Cemaden, Mabel Costa abordou a escalada das ondas de calor – que se caracterizam por uma sequência de dias e noites excepcionalmente quentes com persistência mínima de três dias consecutivos. Costa observou que o estado de São Paulo ocupa a 4ª posição nacional em frequência desses eventos nas últimas décadas. Costa destacou, ainda, que as ondas de calor tendem a ser mais longas e intensas sob a influência do El Niño, afetando diretamente a saúde da população e a demanda por energia.

- Dr. Jose Marengo fala aos gestores municipais e representantes de defesas civis sobre potenciais impactos do El Niño nas diferentes regiões do Brasil.
A reunião contou com a presença de autoridades locais, incluindo o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias, e representantes de diversos municípios da região. O secretário de Urbanismo e Sustentabilidade de São José dos Campos, Marcelo Manara, reforçou a necessidade de os municípios se municiarem de orientações técnicas para minimizar efeitos esperados na infraestrutura e na agricultura. Já o secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal Três Rios, Victor Miranda, ressaltou a relevância de conhecer o trabalho do Cemaden e os dados produzidos pelo Centro para se prepararem para os impactos de eventos climáticos na região. Para o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias, o cuidado com recursos naturais e a preocupação com impactos da emergência climática devem andar juntos com o fornecimento de orientações corretas à população.
A diretora do Cemaden, Dra. Regina Alvalá, enfatizou que a instituição celebra 15 anos de serviços e que a aproximação com os municípios é vital. Após as apresentações e debates técnicos, os gestores visitaram a Sala de Situação do Cemaden, onde puderam conhecer de perto as fontes de dados e o processo de emissão e envio dos alertas de riscos de desastres.

- Regla Somoza, tecnologista do Cemaden, apresenta detalhes do funcionamento da Sala de Situação aos participantes da visita técnica.
Uma das conclusões dos participantes da reunião técnica reforça o papel de diretrizes práticas para o poder público, como a atualização de mapas de áreas de risco municipais, a revisão de planos de contingência e o treinamento de equipes da Defesa Civil. A mensagem central da reunião foi de que a preparação regional antecipada é a ferramenta mais eficaz para construir cidades mais resilientes diante das mudanças climáticas dos próximos meses e anos.
Fonte: Brasil – MCTI
