Francisco Santos aplicou técnicas internacionais no templo da Serra de Furnas, consolidado como novo eixo do turismo religioso no Sertão
OSantuário Deus Pai Todo Poderoso, localizado na Serra de Furnas, entre Condado e Malta, no Sertão da Paraíba, consolida-se como um dos principais destinos de fé no Nordeste. Inaugurado oficialmente em outubro de 2025, o complexo de 6.300 m² impressiona não apenas pela magnitude arquitetônica, mas pelo rigor artístico de sua ambientação interna. Um dos grandes destaques do projeto são as pinturas sacras feitas à mão pelo artista cajazeirense Francisco Santos, cuja trajetória inclui trabalhos em solo europeu e em outros templos de relevância no estado.
Com uma ligação histórica com a comunidade Servos de Maria, o artista de Cajazeiras empregou no santuário a expertise adquirida ao longo de décadas. “Eu já conheço e trabalho para o pessoal dos Servos de Maria desde 2001. Com eles eu fui para a Itália em 2007, pintei lá em Verona. O Santuário de João Pessoa fui eu que pintei, e estou até hoje”, relatou Francisco. O trabalho na Serra de Furnas exigiu um planejamento minucioso para garantir que as imagens resistam ao tempo e às variações climáticas rigorosas do Sertão paraibano.
A durabilidade das obras foi uma das prioridades do pintor, que utilizou materiais específicos para a conservação das cenas religiosas. “A gente faz um estudo sobre a questão de temperatura do ambiente para saber as tintas que serão usadas. Na realidade é um material que a gente usa que eu acho que leva gerações e vai permanecer lá”, completou o artista. O talento de Francisco Santos emoldura o espaço que tem capacidade para 3.000 pessoas e atrai fiéis motivados por promessas e penitências, reforçando o papel de Cajazeiras como celeiro de grandes expoentes das artes.
O acesso ao topo do santuário é feito por uma escadaria de 99 degraus, percurso utilizado pelos visitantes como ato simbólico de reflexão. Aberto para visitação aos sábados e domingos, com missas em três horários, o templo une a grandiosidade da engenharia na montanha à delicadeza do traço artístico de Francisco. O complexo religioso, idealizado pela irmã Ana Rita (Mãezinha), agora se estabelece como um marco geográfico e cultural onde a arte sacra de Cajazeiras se torna janela para o encontro com o sagrado.
Fonte: Coisas de Cajazeiras







